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Artigo Integral - 02/06/2010

Lula, o diplomata

Confira o artigo do fundador e presidente do Conselho do Grupo Ser Educacional, Janguiê Diniz.

Desde o início do seu primeiro mandato, o presidente Lula escolheu dois caminhos: ser reconhecido como o presidente da República que mais se preocupou com o social;  e ser célebre como um homem de diálogo, que busca a conciliação  e é contrário a  conflitos.  Constatamos que Lula conseguiu seu desiderato.

A ampliação do Bolsa Família, o Programa Universidade para Todos (Prouni), a recuperação do salário mínimo e a ampliação da oferta de crédito através de bancos públicos foram ações meritórias do governo Lula, as quais consagraram uma  marca social para o seu governo. Nesse contexto, ressaltamos que a aprovação do governo Lula foi  motivada por dois aspectos fundamentais: bem-estar econômico do brasileiro e ações sociais.

O segundo objetivo foi alcançado pelo presidente Lula no instante em que ele buscou uma aproximação com os movimentos sociais e entidades de classes. Em especial com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a União Nacional dos Estudantes e os sindicatos. Este  diálogo entre governo e esses movimentos sociais e entidades de classe possibilitou, por um lado,  o atendimento pelo governo de certas  demandas sociais. Por outro, calou as vozes desses importantes movimentos, pois já não se ouvem aquelas imprescindíveis vozes.

No âmbito internacional, a irreverência do presidente Lula lhe proporcionou fama mundial. A busca da independência comercial dos  Estados Unidos e outros países merece aplausos. Contudo, reconhecemos  que o diálogo com os americanos deve sempre existir, pois o Brasil não pode desprezar a economia  e o mercado americano, de imprescindível importância para  o setor produtivo brasileiro.

O apoio ao Haiti, através das Forças Armadas, mostrou que o Brasil tem responsabilidade social internacional e preocupação  humanitária. A busca por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU fez com que o Brasil tomasse decisões importantes, como a busca pela paz no conflito Israel e Palestina e a  intermediação de um possível  acordo do Irã  com o Conselho de Segurança da ONU acerca do enriquecimento de urânio.

Nessa perspectiva, podemos afirmar que Lula é um diplomata. A sua origem sindicalista lhe conferiu uma  desenvoltura e capacidade de diálogo. Isto é extremamente louvável. Contudo, excesso de diplomacia pode fazer com que o defensável seja indefensável. A título de exemplo citamos os pecados diplomáticos cometidos através do  apoio incondicional aos regimes Cubano e Chavista.

 

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